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Crônicas e Opinião:

Perfil de Bruno Peron Loureiro

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Bruno Peron Loureiro é brasileiro. Conta com mais de duzentos e cinquenta artigos publicados em diversos meios impressos e digitais de comunicação de todo Brasil. Logo seriam traduzidos ao espanhol. A formação multidisciplinar, internacionalista e latino-americanista corrobora o interesse em várias áreas de conhecimento e ação nos países da América Latina e o Caribe.

Estudou mestrado em Estudos Latino-americanos (2008-2009) pela Facultad de Filosofía y Letras (FFyL) na Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM), que é renomada na área de Humanidades e referência na América Latina. Nesta instituição de ensino público, ainda contou com bolsa de estudos do Consejo Nacional de Ciencia y Tecnología (CONACyT), agência de financiamento do governo federal mexicano.

Cursou bacharelado em Relações Internacionais (2003-2006) pela Faculdade de História, Direito e Serviço Social (FHDSS) na Universidade Estadual Paulista (UNESP). Na graduação, contou com financiamento para realização de iniciação científica do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que é uma agência de fomento à pesquisa do governo federal brasileiro.VApesar de sua trajetória acadêmica e apreço pela vida universitária, segue um conceito atípico de labor. Já trabalhou como auxiliar administrativo e comprador em empresa, estagiário de associação comercial, professor de idiomas e voluntário de organização não-governamental. O ativismo cultural advém da atualização frequente em fontes diversas sobre a América Latina e o mundo.




Marmanjos de calçada

Crédito/fonte: Bruno Peron Loureiro - Site Oficial: http://www.brunoperon.com.br - Data: 30 de maio de 2016


O crítico literário Thomas Eliot foi categórico ao asseverar que nenhuma cultura se cria nem se desenvolve se não tiver alguma relação com religião. Há nisso não somente um sentido ético de indivíduo, mas também uma normatividade de grupo. Enquanto Eliot buscou uma definição ampla de cultura, minha preocupação aqui transcende a linha conceitual e tange horizontes civilizatórios, tão caros ao meu berço como brasileiro.

É difícil traçar similitudes culturais entre regiões, países e continentes devido às particularidades e aos caminhos da diversidade. As variações de rota são grandes, ainda que se comparem nações contíguas ou em que se fala o mesmo idioma. Encontrar coincidências culturais por vezes parece ser um exercício tão fácil quanto ludibriador, tão oportuno quanto cavilador.

Tal é a façanha que se cobra constantemente do Brasil, um país que surgiu de um parto doloroso e prenuncia sua morte trágica. Nele se tenta aplicar tudo que se aprendeu de civilizadores e oportunistas que aportaram nesta terra, porém à sua gente lhe falta a disposição habitual e lógica para acompanhar a engrenagem imitada, a cópia imperfeita e impostora.

É assim que se expressa nossa democracia fajuta, nossa cidadania embriagada e nossa legislação sustentadora dos poderosos. Aos poucos, essa nação é tomada por marmanjos de calçada, que assistem passivamente à vida alheia enquanto inutilizam sua própria mão-de-obra e seu potencial. São muitos que, com seus vinte, trinta ou quarenta anos, sentam nas margens das ruas a depositar inveja e ódio sobre aqueles poucos que produzem e acreditam no Brasil. A esses impudicos só existe o Brasil paternalista, que, se não prover, não educa nem estimula. Marmanjos de calçada estão deliberadamente entregues à contingência de um país em recessão e desespero, drenado até seu estertor.

Com esse recorte da realidade social brasileira, posso ampliar meu argumento. Obviamente, a culpa não é só dos ignorantes e passivos. Eles são efeito do que as elites fazem do e com o país. É também daqueles que bebem da fonte inesgotável de recursos públicos sem piedade alguma de drenar as energias de um país miserável e contraditoriamente tolerante. A dívida desses é ainda maior. E prestarão contas, cedo ou tarde.

Nesse ínterim, milhões de brasileiros buscam alguma luz, algum norte. Muitos dependem de um líder ou tutor para dar vazão a seus anseios e angústias. A partir do momento em que muitas dessas lideranças perdem respeito devido a corrupções e descaminhos, algum deus passa novamente a ocupar essa lacuna deixada por incompetentes. Novamente a cultura alterna-se com a religião, quando uma não é gerada pela outra.

A religião, portanto, é um princípio motivador da ética como sugeriria Eliot assim como um liame das enfermidades cívicas, completo eu. Estas, por sua vez, vitimam muitos brasileiros despreparados e viciados pela sociedade que os gera, desorientados pelos líderes em quem se deposita confiança, e desgastados pelo desejo inconcluso de engrandecimento.

Resta-nos depor os charlatães, apontar as chagas e – acima de tudo – fazer uma revisão de nosso próprio caráter nessa sociedade onde o Estado passou dos limites em alcance, tamanho e inutilidade. Mais preocupante que o inchaço estatal é o desajuste entre os privilégios de apadrinhados do Estado e aqueles que laboram no setor privado por um salário mínimo.

Há muitos incompetentes que maculam nossa cultura, enquanto poucos bradam no lamaçal a favor de mudanças (reais, não cínicas) e melhoras coletivas. O mundo reúne-se para um convívio intercultural no Brasil, onde a ambição dos conquistadores estabeleceu – provavelmente sem planos para isso – um laboratório cultural fértil, porém problemático e tortuoso. O Brasil merece uma chance. Seja o segundo a acreditar nisso.




Cidadãos e ogros

Crédito/fonte: Bruno Peron Loureiro - Site Oficial: http://www.brunoperon.com.br - Data: 21 de março de 2016


É digno de consideração que o convívio nos lugares comuns do Brasil está cada vez mais difícil e, em muitos casos, inviável. Alguns chamam esses lugares de espaços públicos, locais de interação ou ambientes de troca; outros são antropologicamente mais sofisticados: regiões de encontro na diferença.

Ressalto essa dificuldade porque, em muitos de meus textos, escrevi sobre a meia-cidadania, tão barata mas danosa ao país. Barata porque a maioria dos brasileiros cresce despreparada para o progresso e o trabalho por falta de atenção de governantes e familiares; e danosa porque já prevemos aonde isso conduz nosso país e que podemos esperar de nossa gente...

Quando introduzi a noção de meia-cidadania (leia, por exemplo, os textos Instrução cívica e Disfarce de meio-cidadãos), pensei naquele monte de gente que cresce sem instrução para que se porte minimamente bem nos lugares comuns do Brasil que mencionei acima. É fato que todos têm algum tipo de instrução, por isso não existe o “sem educação”; no entanto, falo sem hesitação que os “mal-educados” aumentam em número e tomam conta.

Desta vez, minha preocupação está ampliada, visto que a brecha entre os supereducados e os mal-educados alarga-se no Brasil. Aqui não se vê um meio-termo ou um ponto de convergência para que sua população entenda-se nos lugares comuns. Recordo que o historiador Manoel Bomfim meditava sobre as ondas de doutores que flutuam sobre o mar de analfabetos.

Teimo em concordar com esse ilustre pensador sergipano, que foi tão fascinado com o Brasil quanto desencantado com sua classe política. E, de maneira igualmente realista, lamento que a distância seja tão grande entre os seres supereducados e os bichos que povoam nossas cidades. Há cidadãos que devem tolerar o convívio com ogros nos lugares comuns.

Contudo, a tolerância para esse convívio tem, para muitos, um limite. É por isso que pessoas blindam seus carros, mudam-se a condomínios, levantam cercas elétricas e investem em segurança privada; ainda, põem seus filhos em escolas caras, frequentam lugares de escol, deixam de investir no Brasil, enviam seu dinheiro ao exterior e passeiam mais em shoppings que ao ar livre. Há muitos indicadores da existência de dois Brasis dentro de um.

Logo, muitos diriam que tudo isso é apenas efeito da diversidade. Mas esquecem que, nos lugares comuns, há regras de convívio e que o outro merece ser visto e respeitado. Não se trata, portanto, de anular a pluralidade cultural que enriquece o Brasil, mas orientá-la a que formemos muito mais cidadãos de bem que ogros pouco instruídos e nocivos ao Brasil. Nem uso aqui o critério financeiro de classificar como mais rico ou mais pobre, uma vez que há benfeitores de poucos ingressos e seres danosos abastados.

Não tenho dúvida de que esse ajuste aumentaria o entendimento entre pessoas, reduziria o recurso a violência, ampliaria as oportunidades de gozos materiais e espirituais, orientaria melhor os motoqueiros (a escória do trânsito no Brasil), baixaria a altura dos muros entre as casas, melhoraria a confiança em agentes de segurança pública, daria educação cívica similar a todos, investiria em negócios no Brasil para gerar emprego e incitar a competitividade, e não deixaria o menor motivo para “rolezinhos”.

Esse cenário, porém, tem hoje traços de utopia. Há um tipo de gente bastante pernicioso que se prolifera no Brasil sem receio de políticos nem de governantes. A crise que nosso país atravessa – assim, lamento contrariar a visão de muitos – não é só da cúpula do poder, mas principalmente cívica, basilar e instrutiva. Cada brasileiro é enormemente culpado, ainda que se esconda atrás da alienação de seu dia-a-dia e em frente da televisão.




Coesão entre países lusófonos

Crédito/fonte: Bruno Peron Loureiro - Site Oficial: http://www.brunoperon.com.br - Data: 08 de fevereiro de 2016


A fundação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) em julho de 1996 tem o propósito mais de inserção política que de integração cultural nas relações internacionais. Deduz-se dos discursos de seus porta-vozes que a coesão entre países lusófonos tem importância global no que se refere pelo menos à grandeza de seu território e seu número de habitantes.

Os integrantes da CPLP são: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, e São Tomé e Príncipe. Timor Leste entrou na CPLP em 2002 após a independência timorense. Mais recentemente, o pedido de Guiné Equatorial – país que fica na costa oeste da África entre Camarões e Gabão – para aderir ao bloco está sendo avaliado pelos integrantes atuais.

É um dado histórico relevante que Portugal foi pioneiro nas navegações marítimas que expandiram os limites coloniais, populacionais e territoriais da Europa; antes mesmo que França e Inglaterra se tornassem senhores do mar. Nessa aventura portuguesa, a tripulação descobriu terras longínquas e estabeleceu entrepostos comerciais chamados feitorias em lugares tão diversos quanto ilhas africanas e zonas costeiras americanas.

A disputa com outros povos (sobretudo espanhóis, franceses, ingleses e holandeses) logo se tornou intensa e motivo de negociações e tratados. Houve, para muitos, um dilema entre expandir para sobreviver ou acomodar para perecer. E tem sido assim por muito tempo. Em tempos atuais, países aliam-se para defesa, fortificação, trocas comerciais e outras finalidades do regionalismo. Acrescento que ser regional deixou de ser equivalente a ser vizinho devido à presteza das comunicações e dos transportes.

Imagino que tenham pensado assim os estadistas que dialogaram durante a Primeira Conferência de Chefes de Estado e de Governo dos Países de Língua Portuguesa que teve lugar em Lisboa em julho de 1996. Entraram em acordo para seguir os objetivos seguintes: busca de conciliação política e diplomática, promoção e difusão da língua portuguesa, resolução de conflitos que afetem algum integrante, e cooperação e união em todos os domínios (pensando sobretudo em temas de economia, educação e sociedade).

Os países da CPLP cooperam em âmbitos diversos, divulgam a preciosidade da língua portuguesa (principalmente através do Instituto Internacional da Língua Portuguesa), e fomentam a cidadania e a circulação de pessoas entre seus países. Em Portugal, já existe este mecanismo, assim como o Passaporte Andino permite o fluxo livre de pessoas entre países da Comunidade Andina de Nações (Bolívia, Colômbia, Equador e Peru).

É perceptível que os países da CPLP somam uma região geocultural extensa com aproximadamente 280 milhões de falantes de português em quatro continentes. Além disso, há um país europeu (Portugal), um que conduz ações duvidosas para ter influência como “emergente” no mundo (Brasil), e outros que têm territórios extensos na África (Angola e Moçambique).

O regionalismo transcontinental – como entendo a proposta da CPLP – é uma estratégia eficaz para preservar culturas e modos de vida, ampliar e diversificar o comércio, e facilitar a circulação de pessoas. Esses caminhos de coesão política delineiam-se num momento em que brasileiros pouco sabem de moçambicanos, e angolanos desconhecem timorenses.

Portanto, a CPLP busca, através de elementos comuns como a língua e outras tradições herdadas de Portugal, integrar áreas distantes, reduzir o estranhamento, e promover intercâmbios maiores no mundo lusófono.




Atenção: O conteúdo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna, este sítio não tem responsabilidade legal pela opinião, o que é exclusiva do autor.

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