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Crônicas e Opinião:

Perfil de Helder Caldeira

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Helder Caldeira é escritor, jornalista, colunista político e conferencista brasileiro. É autor de A Primeira Presidenta, primeiro livro publicado no Brasil sobre a Presidenta Dilma Rousseff, pela Editora Faces.

É colaborador para versões impressas e online de diversos jornais e portais brasileiros e é titular de colunas no jornal Gazeta de Caxias (Rio Grande do Sul), Folha do Espírito Santo, no Circuito Mato Grosso no Portal APPM (Piauí), no Maranhão News (Maranhão), no Correio Bragantino (Bragança - Pará), no portal Araruna Online (Paraíba) e do Portal da Ilha (Santa Catarina). Também é colunista do Jornal do Sudoeste (Bahia) e responsável pela coluna Bravatas, Gravatas e Mamatas no Jornal da Cidade (Sergipe).

Foi assessor político e institucional da Casa Civil do Governo do Estado do Rio de Janeiro, Professor Universitário na FACTU/MG, Subsecretário Municipal de Desenvolvimento Turístico Econômico e Rural de Paraíba do Sul e Sócio-Fundador e Presidente da Fundação Cultural de Paraíba do Sul.

Em fevereiro de 2011 lançou Pareidolia Política, seu terceiro livro,uma análise dos dois últimos anos de Luiz Inácio Lula da Silva no comando do país, as eleições 2010, a vitória e os primeiros dias de Dilma Rousseff na Presidência da República, tudo isso ladeado pela constante degradação dos Poderes Legislativo e Judiciário.

Obras publicadas:

- A Primeira Presidenta (Editora Faces, 200 páginas, 2011).

- Pareidolia Política (AlphaGrafics, 315 páginas, 2011)

- 'Bravatas, Gravatas e Mamatas' (AlphaGrafics, 257 páginas, 2010).




O circo de Michel Temer

Crédito/fonte: Helder Caldeira - helder@heldercaldeira.com.br - Data: 25 de novembro de 2015


É impressionante como o grupo político que atualmente gravita a Presidência da República não tem qualquer vestígio de vergonha ao demonstrar desprezo pelo Brasil e por suas instituições. Não há outra definição melhor: para a alta cúpula político-palaciana, o Povo brasileiro é absolutamente desprezível.

Basta observar a crise que, neste momento, chacoalha as estruturas supostamente democráticas. Enquanto o país derrete diante de um colapso ético de enorme envergadura, o presidente da República encontra-se envolvido até o pescoço num escandaloso caso de prevaricação e tráfico de influência para beneficiar ministro de Estado com um “jeitinho” na liberação de um empreendimento imobiliário privado junto a órgão de fiscalização da administração pública. É a lama!

É fundamental esclarecer: o que aconteceu em Brasília na última semana é gravíssimo. Não é aceitável que o presidente da República e seus ministros e assessores acreditem piamente que podem fazer uso, por exemplo, da Advocacia-Geral da União (AGU) para dirimir questões de natureza privada de um político, tampouco exigir ingerência político-partidária nas competências do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Tal compreensão só revela os métodos da nauseabunda classe política brasileira e a Operação Lava-Jato está aí para provar como esse modelo é danoso ao país e aos cofres públicos dos pagadores de impostos.

Impressiona também assistir aos líderes partidários, incluindo o presidenciável senador Aécio Neves, mandatário nacional do PSDB, sair em defesa do descalabro e acusar frontalmente o diplomata Marcelo Calero, ex-ministro da Cultura, por ter gravado os achaques que recebeu do Chefe de Estado e de seus asseclas. Convenhamos, não fossem as gravações, os canalhas da Praça dos Três Poderes já teriam fritado o ex-ministro e criado cabeludas narrativas para desmoralizar aquele que não aceitou participar do ato criminoso e o denunciou às autoridades competentes. Prova maior de tal desvergonha são esses mesmos líderes tentando enquadrar o ex-ministro na Lei de Segurança Nacional, como se um terrorista fosse. Quem são os verdadeiros terroristas dessa história?

Não por acaso, ao cruzar a Praça, o cidadão brasileiro encontra um Congresso Nacional diminuído, trabalhando dia e noite — e até no breu da madrugada — para livrar seus membros dos crimes cometidos, tentando aprovar uma anistia total e irrestrita para os maiores pilantras do História do Brasil. E, completando a trina do poderio, temos um Supremo Tribunal Federal (STF) lento, ineficaz e garantidor da impunidade que fez deste país um campeão mundial da roubalheira, uma terra onde os maiores criminosos são tratados pelo vocativo “Vossa Excelência”. É mais que lama. É circo!

A principal lição que o Brasil precisa aprender em termos de política é que não adianta trocar apenas a lona se, no picadeiro do circo, os palhaços continuam os mesmos. Por enquanto, os palácios circenses de Brasília continuam abrigando barbáries pornográficas e muito colarinho-branco.




Imposto sobre Vergonha na Cara

Crédito/fonte: Helder Caldeira - helder@heldercaldeira.com.br - Data: 09 de setembro de 2015


A presidente Dilma Rousseff é uma mulher covarde. Associada ao ex-presidente Luiz Inácio da Silva — vulgo “Lula” — e ao Partido dos (supostos) Trabalhadores, fez do Brasil uma república sindical de baixo calão, repulsiva e sem qualquer mínimo senso administrativo. Empoleirados nessa geringonça federal, algumas dezenas de milhares de apaniguados que, por essência do que são, se servem da “res publica” para o enriquecimento pessoal e a ilícita engorda dos cofres partidários. Não há a menor possibilidade de encontrar expressões decorosas e amenas para falar dessa gente desavergonhada. Os primeiros resultados da Operação Lava-Jato são incontestes: trata-se de uma monumental quadrilha instalada, tal qual um câncer, no coração das principais instituições. “A corrupção no Brasil tornou-se endêmica e está em fase de metástase”, chancelou um dos procuradores que integra a força-tarefa liderada pelo juiz federal Sérgio Moro.

O que faz de Dilma uma mulher covarde? Sua absoluta incapacidade, por imoral conveniência ou grosseira ignorância, de reconhecer os erros brutais de seu (des)governo e, ato contínuo, assumir as rédeas da situação para buscar os caminhos da probidade e da eficiência. Ao contrário do “coração valente” que estampou sua campanha de reeleição — uma das muitas mentiras brilhantes inventadas por marqueteiros —, salta aos olhos sua covardia em vídeo jogado nas redes sociais, tal qual um vírus, durante a tradicional comemoração do Dia da Independência. “Se...”, e somente “se houve erros”, disse a presidente da República com um sorriso de canto de boca, às raias do deboche.

Aliás, não reconhecer os erros e transformá-los em instrumentos de deboche contra os cidadãos brasileiros tornou-se um método na atual gestão. Quando surgiram as primeiras suspeitas de corrupção na Petrobras, Dilma fez questão de dirigir-se ao respeitável público para exclamar que nossa maior estatal era o símbolo máximo de eficiência e honestidade. Investigada pelo Tribunal de Contas da União pelas famigeradas e ilegais “pedaladas fiscais” nas contas públicas, a presidente mandou comprar uma bicicleta importada caríssima e deixou-se fotografar em generosas pedaladas pelas ruas de Brasília. Diante do descalabro internacional promovido pelo Estado Islâmico, a presidente do Brasil afirmou que sua escalafobética política externa está disposta a dialogar e negociar com o grupo terrorista. Não por acaso, a Petrobras contabiliza o roubo de bilhões de Reais, a bicicleta já foi esquecida e uma célula do Estado Islâmico foi localizada em São Paulo.

Por covardia e devassidão, diante de uma crise política, econômica e, sobretudo, a maior crise institucional já vista numa democracia ocidental, o Poder Executivo faculta a responsabilidade de governar a um lobista e este reúne a nata do nosso pior esgoto para emplacar a estrovenga chamada “Agenda Brasil” e evitar o eventual processo de impeachment. Insistindo na troça e zombaria, à véspera do Sete de Setembro, um ato oficial da presidente Dilma Rousseff — Decreto nº 8.515, de 03 de setembro de 2015 — esvaziou completamente os poderes dos comandantes militares, transferindo-os ao “companheiro” Jaques Wagner, que passeava na China quando o Diário Oficial da União tornou pública a novidade rocambolesca.

Próxima ao limite da linha tênue que demarca a dignidade de um governante e pode colocar fim ao seu segundo mandato, a presidente da República crê apenas no aumento de impostos — não bastasse a irracional e inacreditável carga tributária vigente — como proposta para cobrir o rombo aberto nos cofres públicos pelas lambanças desses 13 anos de PT no comando do Brasil. Dilma não descarta a recriação da CPMF e agora, com apoio do vice-presidente Michel Temer e do PMDB, tenta emplacar o aumento da CIDE — o famoso tributo dos combustíveis, este nosso eufemismo que chama imposto de contribuição — de R$ 0,10 para R$ 0,60 por cada litro de gasolina e a elevação dos percentuais saqueados dos cidadãos através do Imposto de Renda. Noutras palavras, a suntuosa conta da roubalheira político-partidária, como sempre, vai parar no bolso do povo brasileiro. É deboche e covardia!

A indústria de marketing político instalada no gabinete presidencial do Palácio do Planalto tem enviado sinais claros de que não apenas Dilma está desconectada da realidade do país que deveria governar. O entorno do trono está coalhado de espantalhos sem cérebro, homens de lata sem coração e leões covardes. Todos, incluindo a Dorothy tupiniquim, buscam algum mágico supostamente poderoso capaz de tirar a nação do atoleiro por eles criado. Na ficção, a narrativa é uma graça. Na vida real, resta uma retumbante desgraça.

Para sustentar a estrada de tijolos dourados que leva às regalias do poder no Brasil e uma estrutura de administração pública que favorece ao desserviço, à iniquidade e, sobretudo, à corrupção, tudo que nossa bestial Dorothy e sua legião de imbecis pseudopoderosos conseguem propor é o aumento de impostos, excrescente como quase tudo que tem sido publicado sobre o signo do instituto Presidência da República. Já que assim é — e os fatos desmontam qualquer fantasia —, talvez seja o momento dos asseclas palacianos cogitarem a criação do Imposto sobre Vergonha na Cara (IVC), que atingirá a expressiva maioria dos brasileiros e não chegará nem perto dos bolsos da “companheirada”. Fica a dica, Levy!




Cassinos proibidos, cidadãos punidos

Crédito/fonte: Helder Caldeira - helder@heldercaldeira.com.br - Data: 14 de abril de 2015


Ao raspar tatu com machado, o jacaré abriu a boca. Dispensando qualquer alquimia levyana, é fácil traduzir a assertiva matuta: para cobrir o rombo que o descalabro na condução da República causou aos cofres públicos, a presidente Dilma Rousseff (o machado cego!) transferiu a fatura para o bolso furado do cidadão brasileiro (o tatu!). Por óbvio, o resultado imediato veio nos gráficos de popularidade (o jacaré!) do governo: a aprovação despencou de 42% para 13% e a rejeição saltou de 24% para 60%. Uma bocarra aberta no coração político do Palácio do Planalto.

Pelos cálculos do ministro Joaquim Levy — elevado ao posto de carrasco solitário —, o valor final da fatura deve ultrapassar R$ 80 bilhões. A comitiva palaciana (a cachorrada!) finge-se de morta para não perder regalias, enquanto a tesoura ataca setores já combalidos como Educação, Saúde e Segurança, o dragão inflacionário exibe as ventas e o comichão tentador de aumentar impostos é inevitável. No apagão da responsabilidade fiscal, as contas de luz são emblemáticas: em média, a tarifa de energia elétrica deve dobrar até o final de 2015. Vira pra lá, revira pra cá, e o governo segue sem saber de onde sairá tanto dinheiro para bancar, sobretudo, nosso neogigante institucional: a corrupção (o chafurdar dos porcos!).

Enquanto isso — e na aparente ausência de gente séria, inteligente e eficiente na Esplanada dos Ministérios —, um Projeto de Lei do Senado (PLS) jaz no imbróglio das comissões parlamentares, ao tempo que seu impacto representa 20% do montante perseguido pela equipe do Ministério da Fazenda. Trata-se do PLS nº 186/2014, de autoria do senador Ciro Nogueira (PP/PI), que, em enxutos 38 Artigos, estabelece um marco regulatório para a exploração dos jogos, bingos e cassinos em território nacional.

Neste exato momento, o PLS tramita na Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo do Senado Federal, redistribuído ao novo relator, senador Elmano Férrer (PTB/PI), após ultrajante silêncio de seus antecessores na função: os senadores Benedito de Lira (PP/AL) e Antônio Anastasia (PSDB/MG). Caso seja aprovado, o caminho ainda será longo, passando por outras três comissões até alcançar uma decisão terminativa na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania. Noutras palavras, uma excrescência burocrática que não consegue atender à premente demanda do País.

É fundamental destacar que a legalização de bingos e cassinos no Brasil não é apenas uma alternativa eficaz para ampliar a arrecadação federal e reduzir a punição imposta aos cidadãos. A aprovação do PLS nº 186/2014 fará justiça histórica a um setor que, por famélica hipocrisia social, foi condenado ao degredo em solo brasileiro, enquanto garante a existência de muitos países, incluindo vizinhos sul-americanos. Serão dezenas de milhares de novos postos de trabalho e renda, diretos e indiretos, e a possibilidade de atrair maciços investimentos, nacionais e internacionais, no potencial turístico de Estados e Municípios. Não por acaso, dos 193 países-membros da ONU, a expressiva maioria (146 nações) tem bingos e cassinos legalizados e o Brasil integra a diminuta lista do tolo atraso proibitivo.

Diversos estudos revelam que manter os jogos e cassinos na ilegalidade — e na clandestinidade, fique claro! — faz com que os cofres públicos brasileiros deixem de arrecadar anualmente cerca de R$ 15 bilhões. Segundo dados oficiais da Receita Federal, esse montante representa três vezes aquilo que é arrecadado com o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidente sobre bebibas, cigarros e automóveis; ou cinco vezes a arrecadação com a famigerada CIDE, o imposto disfarçado de contribuição que incide e esculhamba — ainda mais! — o preço dos combustíveis.

A manutenção dos jogos, bingos e cassinos na ilegalidade por mera demagogia vai além da costumeira ignorância. É crime. Crime gravíssimo, especialmente se considerarmos o atual contexto do ajuste fiscal de mão única proposto pelo governo Dilma, que pune feroz e severamente os cidadãos brasileiros e não alcança as regalias palacianas e a nauseabunda corrupção institucionalizada.

Em tempo de tatu careca, machado cego e jacaré boquiaberto, manter bingos e cassinos proibidos no Brasil é uma aposta tola nas dezenas (de bilhões roubados) da cobra, do porco e do pavão, quando os números (de votos) revelam o triunfo de outro bicho: o burro.




Esquerdofrenia ridicularizada

Crédito/fonte: Helder Caldeira - helder@heldercaldeira.com.br - Data: 03 de abril de 2015


Houve um tempo no Brasil quando aquilo que convencionou-se chamar de Esquerda tinha enorme prestígio. Fundamentalmente na segunda metade do século XX, grandes setores da mídia e do universo acadêmico, aliados a duvidosos líderes políticos bons de bico — lato sensu, fique claro! —, fundaram uma espécie de brigada ético-intelectual. Uma gente de coração valente e alma limpa que se dedicava, dramaticamente com sangue, suor e lágrimas, à luta por uma tal liberdade, colando no lombo a pecha de que os autoatribuídos ideais de Esquerda eram bons e, por pura exclusão ignorante, todos os demais eram ruins. Uma mentira retumbante transformada em verdade absoluta por um marketing circense bem feito.

Ao raiar da década de 1980, uma marionete sindical foi pinçada do ABC Paulista e elevada ao posto de capitão-mór da intrépida trupe onírica. Foram anos esquisitíssimos, quando a moda era admirar ídolos bêbados, a cintura estava acima do umbigo e revolucionário era aquele que, chapado por um antiamericanismo rasteiro e muita fumaça, conseguisse desvendar o que havia embaixo dos exuberantes e conceituais caracóis dos cabelos dos cantores da MPB. Não demorou muito para a ausência de contato com a realidade mergulhar essa turma num delirante e paralógico monópolio da virtude. O esquerdismo brasileiro ganhou ares de esquerdofrenia coletiva.

Midiaticamente abraçada no eixo da sociedade e consagrada no eixo político, a Esquerda fez-se poder hegemônico nos cerebelos, paralisando o debate e quase aniquilando a musculatura das imprescindíveis divergências ideológicas. Autoproclamou-se autoridade moral. Não por acaso, a bandeira de uma suposta justiça social tornou-se a máscara preferencial dos maiores criminosos do país, um instrumento de defesa a quem solapa a Democracia, defeca sobre a Constituição e assalta diuturnamente as Instituições. A História — aquela com H maiúsculo — foi deliberadamente alterada e o Brasil literalmente parasitado. Tal qual um carro roubado, o país foi ao desmanche e hoje, imóvel, jaz num terreno baldio da América do Sul.

Ainda assim, diante de todos os fatos escatológicos que obrigaram os meios de comunicação a migrar as editorias de Política para as páginas policiais — e dá-lhe mensalão, petrolão, eletrolão e todo “ão” relativo à corrupção —, há os desavergonhados que defendem o “modelo” que enfiou o Brasil no atoleiro e descortinou escândalos sem precedentes, roubos bilionários aos cofres públicos e muita impunidade ao logo do percurso.

Até pouco tempo, esses desavergonhados defensores ainda tinham algum crédito. Isso acabou. Não seria possível manter por muito tempo um mínimo de credibilidade quando larápios são pegos com a boca na botija; quando uma feroz ministra-militante atende ao controle remoto do ar condicionado fingindo ser um telefone celular para escapar de perguntas difíceis; quando um parlamentar cubaniza sua intelectualidade pedro-bialiana e defende que seja caçada e censurada a opinião de jovens contrários ao regime vermelho tupiniquim; quando um ex-presidente convoca um exército de sem-terras — financiado pelos trambiques do partido e como se fosse uma organização paramilitar — para uma guerra campal contra manifestantes pacíficos; ou quando aquilo que, noutros tempos, seria o silêncio arrogante da presidente da República, revela-se o calar de quem foi desmascarada em sua inabilidade política, iniquidade executiva e total incapacidade de juntar lé com cré em temas fundamentais à administração pública. A credibilidade foi-se pelo ralo, restanto apenas figuras patéticas.

Como a História é um portentoso cavalo selvagem que não aceita cabrestos ignóbeis, o mítico líder dos trabalhadores pobres e oprimidos desceu a ladeira ladeado pelo coronelismo político e a suposta guerrilheira valente está encastelada, adoecida pela rejeição, assombrada pela reação democrática das ruas, das redes sociais e de seu próprio eleitorado. A realidade impôs a extinção do delírio. A gloriosa esquerdofrenia de outrora foi devida e publicamente ridicularizada. Agora, resta-lhes o higiênico acerto de contas com a Justiça e, sobretudo, com o Povo Brasileiro.




300 anéis roubados

Crédito/fonte: Helder Caldeira - helder@heldercaldeira.com.br - Data: 21 de novembro de 2014


Certa vez, no início da década de 1990, um ex-deputado federal, investido na fantasia de ferrenho defensor dos trabalhadores pobres e oprimidos do Brasil, cunhou uma frase oportunista que se tornaria parada de sucesso — os memes de antigamente — e atravessaria o século como símbolo de uma suposta indignação política. Referindo-se ao Congresso Nacional, disse o travestido mocinho: “Há uma minoria que se preocupa e trabalha pelo país, mas há uma maioria de uns trezentos picaretas com anel doutor que defendem apenas seus próprios interesses”.

À época do advento do epíteto congressista — alguns vocais midiáticos pareciam celebrar a descoberta da pólvora! —, a nação vivia uma espécie de ressaca, após deleitar-se com o vento forte que ousava desgrenhar as melenas do esguio presidente da República defenestrado, ao embarcar em sua última viagem no helicóptero oficial rumo à mansão comprada da madrinha numa das penínsulas de Brasília. Grosso modo e em última instância — porque nos tribunais fora absolvido de todas as demais acusações —, sofreu um impeachment pelo Fiat Elba “por fora”.

Os cabelos “colloridos” continuam iguais, mas os escândalos... quanta diferença! De lá pra cá, os “doutores” são quase os mesmos, alguns envelhecidos, alguns plastificados, outros transformando seus gabinetes em capitanias hereditárias. Já o fantasiado Robin Wood dos trópicos ascendeu aos píncaros do poder, apaniguou com cargos e altos salários sua plebe rude, distribuiu benesses aos famélicos e deu cria palaciana. A picaretagem cantada de outrora tornou-se liturgia institucional.

A aula inaugural deste modus operandi de construção de alianças políticas foi o Mensalão, quando o Poder Executivo decidiu oficializar o pagamento de mesadas, com dinheiro desviado dos cofres públicos, aos “doutores picaretas” do Poder Legislativo em troca de apoios e tapinhas nas costas. Como os ladrões, por sua natureza envergada, não sabem fazer uso da isonomia para repartir o pão roubado, o esquema rendeu alguns meses de xilindró à intrépida trupe.

Já que os brioches mofados continuam caindo à mesa dos famélicos, ainda que aos trancos e barrancos, chegamos ao tempo do reinado de nossa vermelha Maria Antonieta. Enquanto Sua Majestade rega com azeite de dendê a bacalhoada econômica, o cacique mato-grossense da Corte Suprema anuncia, tal qual arauto da desgraceira: “Agora, a Ação Penal 470 [o Mensalão] terá que ser julgada em tribunal de pequenas causas pelo volume que está sendo revelado nesta demanda [a Operação Lava Jato]”.

O assalto aos cofres da Petrobras — e, provavelmente, extensivo às outras estatais brasileiras — é algo sem precedentes. Talvez por considerarem bagatela o roubo estimado em R$ 10 bilhões inicialmente, a maioria dos eleitores decidiu dobrar a aposta na cumplicidade com o descalabro. Gozando de tal anuência qualificada, vimos o assalto à Petrobras ganhar contornos mafiosos e elevar à 13ª potência o volume de recursos desviados apenas na petrolífera. Ainda temos pela frente Itaipu, Furnas, Correios, Eletrobras, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e outros alvos da gafanhotagem política defendida pelos ex-trabalhadores.

Hoje, pouco mais de duas décadas depois daquele meme paralamístico, já sabemos exatamente o que o tal mocinho travestido fez com sua indignação contra aqueles que chamou de picaretas: instalou na República um esquema de corrupção de tal ordem, que até os trezentos anéis foram roubados.




O teorema da lambança

Crédito/fonte: Helder Caldeira - helder@heldercaldeira.com.br - Data: 01 de novembro de 2014


Pouco mais de 54 milhões de brasileiros foram levados — espontaneamente ou via terrorismo oficioso — a crer que 'a vida será ainda melhor' que a propaganda política apresentada pelo PT e que a mudança, necessária para tirar o Brasil do mar de lama onde está enfiado, virá através da manutenção do (des)governo da petista Dilma Rousseff. Ah! Essa tal '#change', meme que alimenta a fome das redes sociais desde a primeira eleição do orgástico norte-americano Barack Obama.

Parêntese importante: por falar em meme, dizem as redes que o 'chororô' dos derrotados é livre e gratuito, rogando para que as 'lágrimas' possam melhorar os níveis dos reservatórios de água de São Paulo. Portanto, cá estou a chorar, ainda sem saber se as gotas do meu lamento serão úteis ao Sistema Cantareira. Fecho parênteses.

Se considerarmos apenas as peças publicitárias ilusórias criadas pelo marqueteiro-geral da República, 'nunca antes na história deste país' houve alguém melhor que Dilma para comandar a gigante nau latino-americana. 'Governo novo, ideias novas' foi lema da turma que diz defender o brilhantismo do Brasil e o protagonismo dos programas sociais sem 'portas de saída'. Aliás, 'porta de saída' tornou-se termo politicamente incorreto, seja para descrever o precioso curral eleitoral do neocoronelismo estatal, seja para esclarecer que a alternância no salão presidencial do Palácio do Planalto seria saudável ao país.

No entanto, uma semana após sacramentada a reeleição da 'presidenta', ficou difícil compreender quem está (des)governando o país. Em seus discursos de campanha, Dilma Rousseff fez questão de proclamar que Aécio Neves e o PSDB, caso vencessem as eleições, tratariam de aumentar impostos, elevar os preços da gasolina e da tarifa de energia elétrica, promoveriam arrocho salarial e desemprego e, sobretudo, conduziriam o Brasil rumo ao déficit orçamentário e ao descontrole total da inflação. Não mediu agressões e impropérios contra o tucano Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central no quarto final da gestão FHC e apontado como provável ministro aecista da Fazenda.

Dilma venceu Aécio, mas, a considerar o discurso plantado pela '(re)presidenta', quem está comandando a (f)Fazenda — não importa se minúscula ou maiúscula, já que o efeito político é o mesmo! — é o demonizado Armínio Fraga.

Tão logo Sua Excelência embarcou no helicóptero presidencial rumo às merecidíssimas férias no litoral da Bahia, o (des)governo sinalizou ao mercado que precisará elevar a carga tributária para sustentar o déficit orçamentário superior a R$ 15 bilhões — o maior desde a vigência do Plano Real —; reajustará fortemente os preços da gasolina e das contas de luz; será obrigado a congelar qualquer aumento do salário mínimo para 2016, já que o fator determinante para o cálculo — o PIB de 2014 — será zero, podendo tender ao negativo; e que o desemprego pode vir bater à porta da nação por conta do elevado grau de desqualificação profissional.

Tudo isso sem contar o tom rancoroso e revanchista da ala mais inescrupulosa do 'aliado-de-chapa' PMDB, que colecionou derrotas robustas em alguns Estados graças à intervenção do 'muy amigo' ex-presidente Lula da Silva, e a avalanche de escândalos de corrupção emergindo das delações premiadas do 'poderoso feiticeiro' Paulo Roberto Costa e do 'doleiro companheiro' Alberto Youssef, ambos colocando a Presidência da República Federativa do Brasil na crista da onda dos mandos malévolos. Noutras palavras, o dedo em riste da 'presidenta-candidata' render-se-á à realidade de um país (des)governado por uma 'presidenta-ré'?

Em termos de matemática política, apresento-lhes o Teorema da Lambança:

x = pt4 + 39m + br.[ ts.( prc + ay ) ] + ba, quando 'x' é o Brasil real; 'pt' é o partido político eleito nos últimos quatro mandatos presidenciais; 'm' é a variável referente ao número de ministérios do atual governo petista; 'br' é a assaltada e combalida Petrobras; 'ts' é valor fixo da 'taxa de sucesso' cobrado em forma de propinas para abastecer os cofres das campanhas políticas; 'prc' e 'ay' são, respectivamente, os delatores oficiais Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef; e 'ba' é número variável de políticos que integram a dita 'base aliada'.

Considerando o resultado do segundo turno das eleições no último dia 26 de outubro de 2014, é possível extrair deste teorema bananístico-jabuticabeiro o seguinte resultado:

x = a maioria dos brasileiros elegeu Michel Temer, presidente da República.




Sereia paradoxal

Crédito/fonte: Helder Caldeira - helder@heldercaldeira.com.br - Data: 06 de setembro de 2014


A desinformação — ou alienação, agora travestida em ridículo e pobre desinteresse — é a praia da expressiva maioria do eleitorado brasileiro. Nesse areal de hipocrisia pedestre e falsa humildade, não raro, sereias são avistadas caminhando sobre as águas turvas da política nacional, entoando cantigas para bois — e bestas! — dormirem. Faltando um mês para as eleições presidenciais, as pesquisas Ibope e Datafolha revelam o avanço da maré.

“A novidade veio dar à praia na qualidade rara de sereia. Metade o busto de uma deusa Maia, metade um grande rabo de baleia.” São os célebres versos iniciais da canção “A Novidade”, composta em 1986 pelo baiano Gilberto Gil e pelos “paralamas” Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone. Numa sociedade feudal que não consegue evoluir, não espanta que uma música com quase trinta anos de idade seja tão atual e adequada, ainda que agora servida à mesa em forma de crítica aos autoproclamados “noviciatus” na seita política brasileira.

Não por acaso, a sereia da vez tem 56 anos de idade e completa bodas de prata com a vida pública. Ao (ir)respeitável — e amnésico — público, Marina Silva apresenta-se como “a novidade”, impulsionada por uma tragédia que comoveu o país e instalada num partido político mais velho que a avó de muitos leitores. Mas, embalada para presente com laços de fita tão modernosos quanto incoerentes. A empatia com o eleitor brasileiro é imediata, fanático pelo debate pequenez — único que a maioria alcança — e apaixonado por meteoritos brilhantes. Vide Collor e Lula, dois rabos de foguete recentes na “Res publica” das bananeiras.

Não é surpresa, portanto, que a candidata rede-socialista afronte a inteligência da plateia que se recusa a cair na armadilha dos folguedos circenses — são poucos, mas ainda existem e resistem! — com o anúncio daqueles que ela, Marina, considera “as melhores novidades”. O paradoxo da sereia faz lembrar o caminhão colorido do palhaço, que explode no meio do espetáculo.

No bojo dos tais “melhores novos”, a ex-petista Marina Silva cita Gilberto Gil e Cristovam Buarque, dois ex-ministros no (des)governo Lula; faz questão de apontar o ex-correligionário Eduardo Suplicy; abraça o “bloc” Caetano Veloso; desce borduna no PMDB, mas quer Pedro Simon em sua gestão, um dos mais antigos emedebistas vivos; diz desprezar os nobres banqueiros, mas sua principal timoneira é Neca Setúbal, bilionária herdeira de um conglomerado de bancos brasileiros; e, na suposta defesa constitucional do Estado laico e dos direitos civis, ouve com fervor os conselhos proféticos do pastor Silas Malafaia. Com a devida deferência a Cristovam e Simon — seres políticos que também admiro —, o que há de novo nessa praia, cara pálida?!

Não há a menor possibilidade de surgir uma “Nova Política” no Brasil pelas mãos de uma velharia — perdoem a expressão, mas não há outra que melhor identifique — que vem dar à praia na qualidade rara de sereia. O fenômeno Marina é mero truque de ilusionismo. Nas cercanias do Palácio do Planalto já é possível ouvir o batuque vindo de uma praia esquisita, outrora possibilidade remota, hoje perversa realidade. “A novidade era o máximo do paradoxo estendido na areia. Alguns a desejar seus beijos de deusa; outros a desejar seu rabo pra ceia”, segue o louvor.




Morte e Vida Osmarina

Crédito/fonte: Helder Caldeira - helder@heldercaldeira.com.br - Data: 19 de agosto de 2014


Há exatos 60 anos, o eterno mestre pernambucano João Cabral de Melo Neto escrevia um poema em redondilha maior que marcaria em definitivo sua obra imortal: “O meu nome é Severino, não tenho outro de pia. Como há muitos Severinos, que é santo de romaria, deram então de me chamar Severino de Maria; como há muitos Severinos com mães chamadas Maria, fiquei sendo o da Maria do finado Zacarias”. À luz da Literatura Brasileira surgia “Morte e Vida Severina”, ainda sob o luto fechado de um povo comovido pelo suicídio do presidente da República, Getúlio Vargas. Era o início de uma nova era na política nacional, fosse para bem, fosse para mal.

À alvorada daquela quarta-feira, 13 de agosto de 2014, o cenário político-eleitoral brasileiro parecia determinar um norte faltando uma semana para o início da propaganda obrigatória em cadeia de rádio e tevê: a candidatura à reeleição da presidente Dilma Rousseff seria coroada pelos 12 minutos diários de muito marketing sobre o zero elevado ao quadrado de sua gestão; o senador tucano Aécio Neves tentando levar o pleito ao segundo turno para um embate cara-a-cara com a petista; e a suposta terceira via construída por um casamento improvável entre o socialista (quase) desconhecido Eduardo Campos e a ambientalista (quase) popular Marina Silva.

A mensagem deixada, horas antes, por Eduardo Campos na edição do principal telejornal do país poderia ser apenas mais um clichê de campanha, quem sabe até antevendo que seu nome só seria realmente forte nas eleições de 2018. O lugar comum revelou-se, na verdade, a derradeira frase pública a ser entoada feito lema maior de uma nação: “Não vamos desistir do Brasil”.

Muito bem disse o cientista político Murillo de Aragão, presidente da Arko Advice, sobre o universo político ser imponderável: “Até quem faz previsões e acerta, mente. Porque o futuro é imprevisível”. Eis que o crepúsculo daquele 13 de agosto teria outros tons: um trágico acidente aéreo ceifou a vida de Eduardo Campos. Da perplexidade à comoção generalizada, como é próprio aos países cuja fé está arraigada à cultura e à vida em sociedade, o outrora (quase) desconhecido socialista tornou-se santo súbito, mártir imediato. Em 24 horas migrou dos reles 8% nas pesquisas a principal cabo eleitoral do país faltando menos de dois meses para a verdade das urnas.

Como num espetáculo tautológico, a morte volta a dar vida à Marina Silva. Em 1988, quando o covarde assassinato de Chico Mendes em Xapuri comoveu o país e o mundo, Marina se tornava a vereadora mais votada de Rio Branco. Logo em 1990, repetiu a maior votação para uma cadeira de deputada estadual na Assembleia Legislativa do Acre. No ano seguinte venceria a morte após contaminação por metais pesados, resultado da vida como seringueira na Floresta Amazônica e do tratamento contra leishmaniose e várias hepatites e malárias.

Trajetória meteórica e com votação histórica, tornou-se a mais jovem senadora da República em 1994. Ministra de Estado durante o governo Lula, por questões políticas e alguma incompetência executiva, viu morrer seus principais projetos e ideais enquanto petista, culminando em sua lacrimejante saída do partido e uma bem sucedida candidatura à Presidência em 2010, quando capitalizou impressionantes 20 milhões de votos pelo pequeno PV.

Ao refugiar-se no silêncio da neutralidade política, parecia destinada ao ostracismo, legado de um meme ultrapassado. Reinventou-se e, com boa dose egocêntrica, partiu à criação de um partido para chamar de seu: a Rede Sustentabilidade, abatida pela poderosa máquina de destruição governista nos limites do Tribunal Superior Eleitoral, que negou-lhe registro ante outros fisiológicos deferidos. A morte dava-lhe vida nova: o surpreendente convite para ingressar no PSB e integrar uma chapa presidencial ao lado do então governador pernambucano Eduardo Campos. O movimento foi chamado de “o casamento do ano”, mas 2014 chegou e a candidatura Eduardo-Marina não decolou. Veio, então, o trágico 13 de agosto.

Mais de meio século depois dos versos inesquecíveis de João Cabral de Melo Neto, surge uma mulher a entoar nova redondilha: “Como há muitos Ideais com mães chamadas Marina, fiquei sendo o Ideal da Maria Osmarina, do finado Eduardo da gente nordestina”. Morte e vida voltam a determinar o futuro da acreana Maria Osmarina Marina Silva, ungida herdeira e sucessora do maior cabo eleitoral da atualidade, cuja morte trágica transformou dramaticamente o cenário político e, como nunca antes em sua história, estendeu-lhe o tapete à rampa frontal do Palácio do Planalto.




Micareta de picaretas

Crédito/fonte: Helder Caldeira - helder@heldercaldeira.com.br - Data: 11 de agosto de 2014


Uma imagem ganhou destaque nas manifestações de rua durante a famigerada Copa do Mundo de 2014: um pai enfurecido puxou o filho adolescente pelo braço e deu-lhe uma dura diante das câmeras. Não suportou a ideia de ver seu guri naquele esquenta de pandeiros “contra tudo que está” e mais alguma coisa que pode vir. O ringue de crenças estava claro: de um lado a carcomida geração dos que não buscam direitos, querem apenas privilégios medianos; de outro, a nova geração à caça de uma mudança abstrata, intangível; no centro do circo, a imprensa ululante a festejar o espetáculo gratuito.

Passados quase dois meses, o estudante de 16 anos concedeu uma entrevista à repórter Júlia Affonso, do jornal O Estado de S.Paulo. Descrente da política brasileira, foi taxativo: “Se voto mudasse alguma coisa, seria proibido!” O jovem paulistano engrossa o caldo formado por um em cada quatro brasileiros que pretendem votar em branco ou nulo nas eleições de outubro, ou são indiferentes aos atuais candidatos à Presidência da República, aos governos estaduais, às Assembleias e à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal.

Neste exato momento, os comitês de campanha estão torrando milhões de Reais em consultorias com cientistas políticos, antropólogos, filósofos, paleontólogos e urologistas para tentar descobrir como conquistar esse contingente superior a 30 milhões de eleitores optantes pela abstenção e que, somados e unidos, poderiam eleger o próximo presidente do Brasil. Equivocados, os candidatos buscam respostas na academia quando, na verdade, elas estão em qualquer barracão de escola de samba.

Há muito tempo as eleições brasileiras são um mero carnaval fora de época, uma micareta. No alto de carros alegóricos e trios elétricos, candidatos mascarados desfilam graça e simpatia enfeitados em plumas e paetês caríssimos, tentando incorporar símbolos de uma democracia decadente. Aos seus pés, uma súcia de foliões disfarçados de cidadãos pulando e sambando ao som de marchinhas ideológicas e toscas, bem menos galhardas que a “pipa do vovô”, que não sobe nem à base de “cabeleiras” e “sassaricos”.

A candidata à reeleição finge estar noutro planeta cubano, cerca-se de aloprados irresponsáveis — confusos entre o público e a privada — e troca o figurino de acordo com a plateia que a observa: num mesmo dia é capaz louvar Santo Expedito, saldar Orixás e orar em suntuosos templos messiânicos. A fantasia fica ao gosto do freguês.

Seu principal adversário não consegue emplacar um discurso de “mudancismo” — como diria o célebre Odorico Paraguaçu —, nem se livrar de penachos coloridos que insistem transfigurar suas vestes de bom moço mineiro, café com pão de queijo. Já o terceiro colocado nas pesquisas ainda não se deu conta de que sua vice-verde foi apenas um meme de 2010, tal qual a Luiza, que já voltou do Canadá. Seguem entre agulhas e alfinetes disfarçando extremismos entre cordiais saudações. Por fim, como não poderia deixar de ser, um pastor evangélico recita a Bíblia Sagrada e condena o carnaval de bacanas, bacanal de partidos políticos.

Daí, outros dois jovens de 16 anos, que decidiram não tirar título eleitoral, revelam à repórter do Estadão: “Não é meu voto que faz a diferença”. E não é mesmo! Quem decide eleição no Brasil são os foliões dessa micareta de picaretas, presos pelas cordas do voto obrigatório. Num país composto em sua ampla maioria por miseráveis ignorantes e por uma endividada classe média, a decisão das urnas fica nas mãos de dondocas com limite comprometido no cartão de crédito e pedintes de dentaduras. Não querer participar desse festival bárbaro e bizarro é uma decisão legítima. Quiçá saudável.




Nau negreira lulodilmista

Crédito/fonte: Helder Caldeira - helder@heldercaldeira.com.br - Data: 08 de junho de 2014


A “presidenta” Dilma Rousseff e o “Dr. h. c. mult.” Lula da Silva muito bem representam o PT após 12 anos de refestelar palaciano-planaltino. Os discursos eloquentes escritos por marqueteiros bem pagos não fecham com a realidade nauseabunda do país. A mentira desavergonhada, a má-fé crônica e o absoluto descompromisso com a palavra, com as instituições e, não menos, com a nação restarão à história como estandarte de um tempo. Seus asseclas — vulgo “companheiros” — apenas repetem, feito maritacas dinásticas, aquilo que o paço vermelho efunde.

O desfile de bizarrices é gigantesco, capaz de ressuscitar os piores demônios de nossa miséria antropológica. Com um Poder Executivo fartamente desqualificado, iníquo e franqueado em lotes aos amigos do rei e da rainha, um Judiciário tão lento quanto lesmas de jardim e um Legislativo desmoralizado, palco da pornochanchada política brasileira, não espanta o sorriso debochado a estampar a cara — sem vergonha! — dos larápios de colarinho branco que infestam as instituições do país.

Não há surpresa, portanto, quando a “presidenta” vai ao Pará e afirma que, após aporte bilionário de recursos públicos, puxadinhos improvisados em lona significam aeroportos prontos; ou quando o ex-presidente concede entrevista internacional para dizer que o Mensalão nunca existiu e que os “companheiros” no xilindró não gozam de sua confiança, ainda que muito bem-vindos às cercanias do trono. Pretendendo alguma comicidade em tais descalabros, autoridades e imprensa preferem minimizar, deixando ao relicário do besteirol aquilo que deveria ser crime hediondo.

Foi à esteira dessa complacência, dessa permissividade coletiva, que o governador petista do Acre fez uso de dinheiro público para mandar despejar noutros Estados centenas de imigrantes ilegais haitianos, feito uma nau negreira contemporânea, sem qualquer aviso prévio às autoridades de destino. Ao invés de se criar uma força-tarefa para fiscalizar a fronteira acreana entre Brasil, Bolívia e Peru, o governador preferiu fazer do Acre uma escala segura para imigração ilegal.

Onde está o ministro petista da Justiça, José Eduardo Cardozo, responsável por salvaguardar as fronteiras brasileiras? Onde está a “presidenta” do Brasil, que ressuscita navios negreiros importando escravos de Cuba e agora, além de abrir as portas do país à diáspora haitiana, faz vista grossa ao “jeitinho” do correligionário? A esculhambação virou regra? É isso mesmo?!vDiante do escândalo, o mandatário acreano sacou da cartola aquilo que aprendeu com o mestre: sob acusação, jogue no ventilador uma diatribe ilusória. Através das redes sociais, o governador do Acre acusou a população paulista de preconceito racial e tentativa de higienização. Até parece sacanagem, mas não é! Na verdade, é tendência. Tendência bárbara travestida em patrocínio aos direitos humanos e à liberdade e combate às supostas “elites preconceituosas”.

Aliás, o Acre é um Estado interessantíssimo. Não contabilizou 500 mil eleitores em 2012 — 0,35% do eleitorado nacional, número menor que cidades como Ananindeua (PA) ou Feira de Santana (BA), segundo dados oficiais do TSE —, mas é um extraordinário exportador de “tendências”. Exportaram, por exemplo, uma figura que nunca ousou ser candidata a cargos executivos em sua terra natal, mas que encanta multidões com seu sonho de ser astronauta e embarcar numa viagem esverdeada no Palácio do Planalto, a nave-mãe dos delírios da neoesquerda tupiniquim.

Quando crimes de lesa-pátria são candidamente acatados como se juízos de pequenas causas fossem, numa reluzente e orgulhosa “bananeira-jeitinho”, avista-se o fim da picada. “E quando você ouvir o silêncio sorridente de São Paulo (...) e pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos, (...) pense no Haiti, reze pelo Haiti. O Haiti é aqui!”, escreveu e cantou, certa vez, nosso adorável “preto-block” Caetano Veloso. Pois é, o Haiti é aqui! Salve! Salve-se!.




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