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MARUJOS EM LOUVOR AO SANTO PRETO

Marujada de Bragança | Festa de São Benedito em Bragança do Pará
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Este portfólio, apresentado para desenvolvimento acadêmico da pesquisa, com a finalidade em descrever o conceito de Movimentos Sociais, utilizará a Marujada de Bragança-Pa, quanto movimento cultural e neste aplicar os conhecimentos acadêmicos assimilados e assim possibilitando a maior extração possível de informações pertinentes a este tema.

A ORIGEM

Aos anos de 1798, a Marujada, em Bragança, teve início seus primeiros apontamentos quanto movimento social, pois quando os senhores brancos atendendo ao pedido de seus escravos, permitiram a organização de uma irmandade de cunho religioso, a qual, em louvor a São Benedito, realizou danças e ritos aos santo preto. E em sinal de reconhecimento e agradecimento aos senhores dos escravos, os negros foram dançar de casa em casa para a benfeitores, assim afirmando que aquela nova organização era única e exclusiva para a renovação da fé e esperança, e não para o ordenamento e organização de rebeliões de negros escravos contra o regime à eles impostos.

Desde então, há mais de duzentos anos, a Marujada acontece no âmbito da Festividade do Glorioso São Benedito, que ocorre de 18 a 26 de dezembro, e envolve os moradores de Bragança, município localizado no nordeste paraense, não apenas durante a festa, mas também nos preparativos que ocorrem ao longo do ano.



Vou fazer uma canção em louvor ao santo preto
Canta, povo bragantino: bendito, oh! bendito.
Quando chegar dezembro
Qual é o santo que está no andor?
É são Benedito com Nosso Senhor.

Marujada de São Benedito
em louvor ao protetor
vem vestindo azul ou vermelho carmim na festa
no barracão dança xote, mazurca e chorado
nos duzentos anos de louvação

mas fico mesmo encantado
quando dança retumbão
(Marujada de São Benedito, do grupo Arraial do Pavulagem)


Todos os anos em romaria milhares de pessoal cristãos devotos do Santo Preto, São Benedito, renovam suas orações, pedidos e preces para uma bem-aventurança, proporcionada por intermédio ao menino Jesus, isto caracterizado como promessas, e estas são pagas no momento da procissão em homenagem ao Santo.



CONCEITUANDO MOVIMENTO SOCIAL

O conceito de movimento social é utilizado por autores quanto a possibilidade de razões e as formas de mobilização social, sendo de diversa ordem económica, política, cultural, religiosa, e encontram-se de regra interligadas. Ao lado de velhos movimentos sociais originados por camponeses e operários, surgem novos movimentos sociais, alguns dos quais com raízes históricas mais fundas, tendo como razão a ecologista, o ativismo feminista, e ponderamentos étnicos e espaciais territoriais.

O conceito de movimento social pressupõe o debate em torno da ação coletiva e dos modelos explicativos da mesma ou da sua ausência. A este trabalho acadêmico a pesquisa a tem ao modelo cultural-normativista que inclui diversos ingredientes, como condutividade, pressão, crescimento e difusão da crença generalizada, mobilização dos participantes, controlo social, mas não coloca no centro da análise a conflitualidade entre classes/grupos sociais, nem revaloriza a ação destes como componente histórica imprescindível da formação e desenvolvimento das sociedades.

O MOVIMENTO SOCIAL: MARUJADA DE SÃO BENEDITO

Em maio tem início o período de esmolação, quando uma comitiva sai pela região com a imagem peregrina arrecadando doações para a festa. Em 8 de dezembro, ocorre uma procissão fluvial da localidade de Camutá até o porto de Bragança. Nos dias pares da semana que antecedem à festividade, há ensaios da Marujada no salão da Igreja de São Benedito.

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No dia 18 de dezembro, começa oficialmente a festividade com a Alvorada, às 5 da manhã, quando se ergue o mastro e marujas e marujos caminham descalços até a Igreja de São Benedito. As apresentações da Marujada seguem até o encerramento da festa, em 26 de dezembro.

Organizada pela Irmandade, a Marujada é quase unicamente constituída por mulheres que assumem o papel de direção. O cargo mais alto da hierarquia da Marujada, que é vitalício, é o de capitoa, geralmente ocupado pela mais velha do grupo, que desfila carregando um bastão dourado simbolizando sua autoridade. A subcapitoa, escolhida pela capitoa e sua substituta, está em um nível seguinte. Os homens, marujos dirigidos por um capitão, participam como tocadores ou acompanhantes.

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Trajando blusa branca, faixa de fita vermelha e uma rosa de tecido, saia rodada comprida vermelha, azul ou branca e um chapéu vistoso enfeitado com fitas (quanto mais antiga, mais fitas) e plumas, as marujas visitam as casas, como na festa primeira, dançando ou andando em duas filas pelas ruas da cidade. À frente das filas, a capitoa e a subcapitoa.

Acompanham-nas os marujos, vestidos com calça e camisa brancas, tocando tambor, pandeiro, cavaquinho, cuíca, viola e rabeca. No dia 25 de dezembro, a saia das marujas e a blusa dos marujos são azuis. Já no dia 26, a saia das marujas e a fita amarrada no braço dos marujos são vermelhas.



O ritmo predominante da Marujada é o retumbão, mas durante a celebração também há a execução de xote, chorado, mazurca, cada um associado a uma dança específica.

São ainda momentos integrantes da festividade em louvor ao São Benedito a cavalhada, no dia 25, o leilão e a procissão, no dia 26.



Na cavalhada, cavaleiros disputam argolas azuis e vermelhas, vencendo aquele que obtiver o maior número de argolas. O leilão é o momento que os participantes arrematam donativos arrecadados pela Igreja para a realização da festa. A procissão é um grande momento de devoção, quando o Santo Preto percorre a cidade, terminando com uma missa. A derrubada do mastro marca o fim da celebração religiosa.

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Estima-se que mais de oitenta mil pessoas se dirigem a Bragança para acompanhar a celebração, considerada Patrimônio Cultural do Pará por meio da Lei Estadual n. 7.330, de 17 de novembro de 2009.

As ações do movimento Marujada, em seu primórdio iniciava pela aclamação da benevolência dos senhores das terras logradas em região Caeteuara, ao nordeste da capitania do Grão Pará, nas casas grandes dos senhores, e em praças públicas, sem local especifico para o desenvolvimento do movimentos, anos depois foi autorizado em Bragança a possibilidade de construção de um barracão, sobre a supervisão dos padres da Igreja Católica, às margens do Rio Caeté.

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Atualmente o Movimento da Marujada de Bragança, dispões de total regulamentação social e burocrática, contando com formação de Pessoa Jurídica, juntamente com seus registros nos órgãos de regulação do Estados de Direitos do Brasil, assim podendo conter posses territoriais e patrimoniais, como o Teatro Museu da Marujada, espaço amplo que atualmente se torna o maior e mais utilizado espaço para o desenvolvimento da arte em seus mais diferentes méritos de gêneros e graus, e não tão somente referente ao movimento da Marujada, mas também o espaço é aberto para a recepção dos mais diferenciados eventos ocorridos na cidade de Bragança, dessa forma, o Teatro Museu se torna referência para a cidade de Bragança, para o desenvolvimento de eventos naquele espaço.



O Movimento da Marujada também conta com uma Praça de Alimentação, um barracão, que atua diariamente para a manutenção da história, relembrando o início do movimento, espaço este que assume função importante uma vez que e dentro dele, que ocorre uma grande gama de eventos menos, mas não menos importantes, também conta com uma praça coreto, um teatro de apresentação artística e a Igreja de São Benedito.

A Marujada é constituída na maioria por mulheres, cabendo lhes a direção e a organização. Não há número limitado de marujas, nem papéis a desempenhar. Nem uma só palavra é articulada, falada ou cantada como auto ou como argumentação. Não há dramatização de qualquer feito marítimo. A Marujada é caracterizada pela dança, cujo ritmo principal é o retumbão. A organização e a disciplina são exercidas por uma "capitoa" e uma "sub-capitoa". É a "capitoa" quem escolhe a sua substituta, nomeando a "sub-capitoa", que somente assumirá o bastão de direção por morte ou renúncia daquela.

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A maruja traja saia vermelha, bem rodada, blusa de cambraia branca bordada e, sobre esta, uma faixa larga de fita vermelha de gorgorão, com uma grande rosa do mesmo material. A parte mais vistosa é o chapéu. Este, é de palha, forrado de tecido branco, com uma espécie de armação de arame onde ficam as flores feitas de penas de pato, brancas. Essas flores cobrem inteiramente o chapéu, com abas que pendem fitas largas, de cores diversas, bem compridas.

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A “Capitoa”, sempre a mais velha do grupo, carrega na mão um bastão dourado, o símbolo da sua autoridade. Homens e mulheres dançam sempre descalços. Os homens, músicos e acompanhantes, são dirigidos por um capitão. Eles se apresentam de calça e camisa brancas ou de cor, chapéu de folha de carnaúba revestido de pano, sendo a aba virada de um dos lados. Os instrumentos musicais são: tambor grande e pequeno, cuíca, pandeiros, rabeca, viola, cavaquinho e violino.

As apresentações são, preferentemente, no período de 25 de dezembro ao dia 6 de janeiro, do ano novo. No dia 25 de dezembro as mulheres dançam com saias azuis e os homens com camisas da mesma cor. Já no dia 26, quando São Benedito é festejado, as mulheres usam as saias vermelhas, e os homens, a roupa branca. Além de Bragança a manifestação se ramificou em outros municípios vizinhos como Quatipuru, Augusto Correa, Primavera e Tracuateua.

CONFIRA FOTOS DA MARUJADA DE BRAGANÇA - PARÁ


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CONSIDERAÇÕES FINAIS

O estudo de Movimentos Sociais, possibilita à uma pesquisa como a desenvolvida por este trabalho avaliativo acadêmico, a implantação de uma visão crítica, da qual desdenhamos um leque de informações pertinente, das quais sem os conceitos teóricos, não seriam possíveis, a visão do pesquisador fica mais aguçada, uma vez que o estudo lapida a perspectiva do observador e isto agrega ao mesmo a única e conceituada maneira de correta de desenvolver a pesquisa cientifica sobre o tema.



Poder assimilar o conceito de movimento social, e extrai-lo de uma realidade vivenciada no dia-a-dia pelo pesquisado, é uma experiência de sua importância para o mesmo, pois a pesquisa age de modo exponencial na evolução do pensamento crítico do mesmo, e assim elevando o seu conhecimento e currículo.

Fonte: Curso de Bacharelado em Serviço Social - Daize Maria de Oliveira - Bragança / Pará





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